Ser transparente aumenta as vendas?

4 outubro 2017

Giuliano Duccini

Giuliano Duccini

Autor

Executivo com mais de 20 anos de experiência em Marketing, Tecnologia, Conteúdo e Consultoria.

A algum tempo venho acompanhando notícias de empresas que usam exageradamente alguns recursos “criativos” a fim de terem melhores resultados.

Alguns casos foram bastante divulgados, mas que vale a pena comentar.

Em 2014 a marca de sorvetes Diletto foi acionada pelo CONAR (Conselho Nacional Autorregulamentação) por fabricar a história do avô do fundador Vittorio Scabin que era a inspiração e origem da marca, o que na verdade era totalmente fictício.

No mesmo ano, a marca de sucos Do Bem teve que explicar o fato de estampar em sua embalagem que a origem das frutas era de pequenos produtores.

Na verdade, a compra é feita de grandes produtores, assim como todos os seus concorrentes que inclusive, praticam preços menores.

Recentemente foi Seara teve que ser mais clara na questão do chef italiano que não serve a mesma lasanha no seu restaurante na Itália. Depois disso apareceu a palavra “inspirada nas lasanhas…”.

E por último a montadora de carros Hyundai, que foi condenada a pagar uma multa de R$ 1,6 milhões de reais por propaganda enganosa.

Para sairmos um pouco do foco em empresas, saiu recentemente a notícia que uma famosa “instagramer” australiana de 18 anos chamada Essena O’Neill, com mais de 700 mil seguidores acabou deletando suas imagens da rede social, mas não sem antes contar a verdade.

Quantas horas cada foto demorou, quanto recebeu para usar tal vestido, maquiagem para cobrir espinhas etc..

Não quero trazer aqui a discussão sobre feminismo, mulher “modelo”, mas sim o quanto somos influenciados cotidianamente por essas meia-verdades, e o quanto ainda não refletimos sobre o que vemos e lemos.

Vivemos em um momento conturbado onde a credibilidade parece estar perdida em todas as esferas: política, institucional, empresarial e até no nosso futebol

In 2013, 73% of Brazilian consumers said they want brands to be transparent about the origin and the production of goods. In 2014, this grew to 84%.

— EDELMAN TRUST BAROMETER, FEBRUARY 2014

Uma pesquisa recente da Trendwatching mostra o aumento da valorização da transparência. Em resumo:

Sua empresa ser proativa e dizer a verdade sobre seus processos de desenvolvimento, produção, distribuição e seu legado, tem e terá cada vez mais valor.

Desta maneira, o recurso de “contar histórias” já não mais funcionará, pois ele não é uma via de duas mãos, não cria diálogo.

Que tal então criar CONVERSAS com suas comunidades, sejam seus fornecedores, funcionários e seus clientes.

Uma participação real na mensagem e não apenas serem fotografados como pano de fundo para alguma estória “baseada em fatos reais”.

Neste novo cenário, as áreas de marketing devem ser protagonistas, ousar, buscar outras abordagens e sair do caminho óbvio e ultrapassado das mensagens vazias.

Empresas mais transparentes, e que sejam capazes de realmente engajar as pessoas com conteúdo gerado com verdade, criando diálogos realmente abertos, transformam seus clientes e parceiros em advogados de seus produtos e marcas

Você também não acredita que essas empresas terão mais sucesso em um breve futuro?

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