Gestão híbrida no marketing b2b: como liderar equipes em novos modelos de trabalho?

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Por causa da pandemia, o trabalho remoto deixou de ser uma tendência para se tornar uma realidade. Ainda que com algum atropelo inicial, causado pela súbita e não planejada mudança, hoje o home office vem se consolidando como um formato de trabalho de ampla adesão em alguns setores, como no marketing B2B.

Esta nova dinâmica de trabalho traz novos desafios, especialmente para os líderes de equipes, que precisam se adaptar e encontrar táticas e estratégias para conduzir seus times aos resultados esperados de forma eficiente e, claro, remota.

Mas como fazer essa gestão a distância e manter a equipe motivada e produtiva? Como se alternar entre os modelos híbridos, em que remoto e presencial se misturam? Como preservar a cultura organizacional sem um espaço físico comum e sem as trocas cotidianas que só o presencial permite? Para responder a essas perguntas, trazemos a seguir algumas reflexões e insights valiosos para gestores e profissionais do marketing B2B. Acompanhe!

Modelos trabalho remoto: home office, híbrido ou officeless?

A primeira coisa a ser entendida é qual o modelo de trabalho remoto adotado pela empresa. Nem todo trabalho remoto é simplesmente um home office, uma vez que já vem surgindo um conceito novo conhecido como officeless, além do modelo híbrido, que alterna presencial e a distância. São diferenças que interferem na forma e nas ferramentas de gestão a ser adotadas.

Quem explica essa diferença de modelos é Renato Contaifer, head de conteúdo da Officeless, empresa que oferece treinamento para preparar as empresas para o trabalho remoto.

“Como o nome sugere, home office é simplesmente poder trabalhar de casa, uma troca apenas de local, mas nem sempre de dinâmica de trabalho, que acaba por refletir uma lógica presencial que não é mais tão efetiva nessas circunstâncias. No híbrido, há essa alternância entre trabalhar de casa e ir alguns dias por semana ou por mês trabalhar no escritório, e neste modelo, o escritório ainda é o ponto de referência dessa dinâmica de trabalho. Já o modelo officeless significa trabalhar em qualquer lugar que faça mais sentido para a pessoa, mas que também apresenta uma lógica e dinâmica mais decentralizada em relação aos dois modelos anteriores”, explica Contaifer.

Mudança na relação de gestor com a equipe

Entender essas diferenças é importante porque é o primeiro passo para compreender que, no trabalho remoto, as formas e a frequência de acesso aos membros da equipe mudam significativamente.

Isso pode impactar profundamente certos estilos de gestão mais controladores e centralizadores. Por isso, líderes devem se adaptar para atuarem em uma nova dinâmica, na qual seus liderados deverão ter maior autonomia e flexibilidade para cumprirem suas tarefas.

“É uma mudança na forma de se relacionar com a equipe”, afirma Guilherme Sboarim, sócio da Conversa.Tech, agência especializada em marketing B2B. “Isso precisa ser construído de forma saudável, porque será uma relação muito sustentada pela confiança. Sem isso, a relação de trabalho tende a ser ruim e pouco produtiva nesse contexto do remoto.”

Cuidado com ferramentas de controle excessivo

Sboarim explica ainda que é preciso que empresas e gestores tomem cuidado com a escolha das ferramentas de gestão remota, para que não se tornem invasivas ou engessem a fluidez do trabalho. Ele alerta que quando essas ferramentas são aplicadas para exercer um controle ou uma supervisão que simule a presença física do chefe, os resultados podem ser péssimos para a performance e o clima corporativo.

“Ferramentas de checkpoint para ver se a pessoa está mesmo diante da tela, convites-surpresas para reuniões on-line e outros recursos desse tipo podem disparar gatilhos de ansiedade, impactar negativamente a produtividade e afetar a motivação e o engajamento do colaborador”, conclui Sboarim.

Comunicação assertiva e nos canais certos

Entretanto, gestores devem saber que, ao liderar equipes remotas, nem tudo se resume à flexibilidade e liberdade.

Naturalmente, é preciso desenvolver práticas de acompanhamento de performance que sejam adequadas ao novo modelo de trabalho. Nesse sentido, nada é mais importante do que uma comunicação assertiva e estruturada de forma objetiva e clara.
Entregas e trocas de mensagens devem ser feitas por meio de ferramentas específicas para que todos estejam sempre na mesma página. Nesse momento, aplicativos como WhatsApp até podem ajudar de forma pontual, mas é preciso orientação e processos definidos para que não se perca o controle e para que não haja confusão e desinformação dentro da equipe.

Por isso, é necessário que sejam criadas políticas de comunicação por um canal principal ao qual todos tenham acesso e que permita a criação de um histórico fácil de ser verificado. Pode ser o bom e velho e-mail, mas também pode ser alguma ferramenta de gestão de projeto. O importante é que a troca de comunicação do time não se perca nem fique pulverizada em diferentes canais, gerando ruídos e lacunas.

O papel do líder de marketing B2B nessa comunicação

Nesse novo formato de trabalho com equipes a distância, um dos papeis do líder que mais cresce de importância é a clareza da comunicação. O grande novo desafio será o de estabelecer rotinas e formas de manter a equipe alinhada com os objetivos estratégicos, e isso depende de comunicação de qualidade e acompanhamento intenso.

Sem a proximidade física e com maior espaçamento de contato em grupos, como em reuniões presenciais, aumenta o risco de ruído no entendimento não apenas do papel de cada um dentro de um projeto (suas atribuições, responsabilidades e entregas esperadas), mas também no entendimento da direção que o time deve tomar como um todo. Isso vai exigir um trabalho minucioso do líder em estabelecer contato e criar um ambiente de trabalho integrado, mesmo que remotamente.

“O líder deve estar atento e saber se as pessoas do seu time dispõem de tudo que precisam para realizarem seu trabalho com qualidade”, afirma Contaifer. “Isso vale tanto para recursos materiais, como equipamentos e boa conexão de internet, quanto para recursos de informação e orientação em relação ao que precisa ser feito, como e quando deve ser feito. Ou seja, cada um deve saber com clareza qual é o seu papel e a sua responsabilidade, e é do líder o dever de transmitir isso.”

A realidade do trabalho remoto no marketing B2B

Quem atua no marketing B2B tende a sair um pouco na frente nos arranjos para liderar equipes remotas. Isso porque em boa parte das empresas, as áreas de marketing estão habituadas a tocar projetos com múltiplos fornecedores, formando e gerindo times remotos e diversos nas suas diferentes demandas.

A dica fundamental é criar processos e métodos de trabalho que se adéquem ao perfil da empresa e do time. “Não existem regras escritas em pedra”, destaca Sboarim. “Cada empresa e gestor deve encontrar seu processo. Há, por exemplo, quem implemente reuniões diárias curtas de acompanhamento com a equipe, há quem faça isso semanalmente ou quinzenalmente. Aqui não existe certo e errado, o importante é ver qual funciona melhor para alcançar os resultados.”

OKRs são importantes na gestão remota

Falando em resultados, Sboarim dá como dica final a adoção de ferramentas de OKR (Objectives and Key Results). “É uma excelente metodologia para desenvolver visão de longo prazo no marketing B2B, algo essencial também na gestão de equipes remotas.

Para entender melhor o que são essas ferramentas, vale muito conferir o episódio 19 do nosso podcast Conversa B2B (assista abaixo).

As novas formas de trabalho remoto são hoje uma realidade que se dissemina com rapidez, sendo adotadas cada vez mais por mais empresas. Ao mesmo tempo, são ainda uma novidade, e estamos apenas no início de um processo de mudança que vai impactar todos os níveis de gestão. Quem entender mais rapidamente esta pequena revolução em andamento, terá uma grande vantagem competitiva para não apenas se adapatar, mas extrair os melhores resultados desses novos modelos.

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